Aterro sanitário
-A base do aterro sanitário deve ser
constituída por um sistema de drenagem de efluentes líquidos percolados
(chorume) acima de uma camada impermeável de polietileno de alta densidade,
sobre uma camada de solo compactado para evitar o vazamento de material líquido
para o solo, evitando assim a contaminação de lençóis freáticos. O chorume deve
ser tratado e/ou recirculação (reinserido ao aterro) causando assim uma menor
poluição ao meio ambiente. Seu interior deve possuir um sistema de drenagem de
gases que possibilite a coleta do biogás, que é constituído por metano, gás
carbônico e água (vapor), entre outros, e é formado pela decomposição dos
resíduos. Este efluente deve ser queimado ou beneficiado. Estes gases podem ser
queimados na atmosfera ou aproveitados para geração de energia. No caso de
países em desenvolvimento, como o Brasil, a utilização do biogás pode ter como recompensa
financeira a compensação por créditos de carbono do Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo, conforme previsto no Protocolo de Quioto. Sua cobertura
é constituída por um sistema de drenagem de águas pluviais, que não permita a
infiltração de águas de chuva para o interior do aterro.
Um aterro
sanitário deve também possuir um sistema de monitoramento ambiental
(topográfico e hidrogeológico) e pátio de estocagem de materiais. Para aterros
que recebem resíduos de populações acima de 30 mil habitantes é desejável
também muro ou cerca limítrofe, sistema de controle de entrada de resíduos (ex.
Balança rodoviária), guarita de entrada, prédio administrativo, oficina e
borracharia. Quando atinge o limite de capacidade de armazenagem, o aterro é
alvo de um processo de monitoração especifico, e se reunidas às condições, pode
albergar um espaço verde ou mesmo um parque de lazer, eliminando assim o efeito
estético negativo. Recentemente foi encontrada uma célula produzida em aterros
que contribui para o fortalecimento do sistema imunitário, podendo assim
contribuir para a cura de muitas doenças. Existem critérios de distância mínima
de um aterro sanitário e um curso de água, uma região populosa e assim por
diante. No Brasil, recomenda-se distância mínima de um aterro sanitário para um
curso de água deve ser de 400m.
Operação
A recepção dos resíduos inicia-se com a entrada do
veículo de transporte de resíduos no aterro sanitário e a pesagem na balança.
Depois de feito o controle na entrada e efetuada a pesagem, o veículo
desloca-se até à zona de deposição, avança até à frente de trabalho, procedendo
à descarga dos resíduos. Em seguida, o veículo passa pela unidade de lavagem
dos rodados (quando houver) e é novamente pesado para a obtenção da tara, de
forma a ficar registrado o peso líquido da quantidade de resíduo transportada.
A operação segura de um aterro sanitário envolve empilhar e compactar os
resíduos sólidos e cobri-lo diariamente com uma camada de solo. A compactação
tem como objetivo reduzir a área ocupada e aumentar a área disponível
prolongando a vida útil do aterro, ao mesmo tempo que o propicia a firmeza do
terreno possibilitando seu uso futuro para outros fins. A cobertura diária do
solo evita que os resíduos permaneçam a céu aberto, com possível contato com
animais (pássaros) e sujeito a chuva, e também para diminuir a liberação de
gases mal cheirosos, bem como a disseminação de doenças.
CRITÉRIOS
PARA ESCOLHA DE ÁREAS DE INSTALAÇÃO DE ATERROS
Para implementação de aterros leva-se em conta vários
aspectos. A ABNT define como critérios básicos de seleção de projetos de
aterros os seguintes itens:
- Zoneamento ambiental - Zoneamento urbano
- Acessos
- Vizinhança
- Economia de transporte
- Titulação de área escolhida
- Economia operacional do aterro sanitário
- Infra-estrutura urbana
- Bacia e sub-bacia hidrográfica onde o aterro sanitário
se localizará
Deve-se ainda indicar no projeto a localização e
características topográficas da respectiva área, além da:
- Caracterização geológica e geotécnica, a fim de evitar
contaminação de corpos d’água, solo, e lençol freático. - Caracterização
climatológica relacionando valores mensais de precipitação e evapotranspiração
- Caracterização e uso de água e solo.
Aterros controlados
O Aterro Controlado é um local onde os resíduos são
descartados diretamente no solo (sem nenhuma impermeabilização), porém recebe
certo controle para minimizar seus impactos. Na maioria dos casos, eles são
apenas um lixão que recebeu algumas adequações com o fim de atender a
legislação vigente. A diferença entre estes e os lixões é que eles são cercados
para impedir a entrada de pessoas e podem apresentar algum tipo de controle
para evitar a poluição, como o monitoramento do lençol freático. Embora não
seja uma forma de destinação ideal, costumam ser aceitos pelos órgãos
ambientais (isso varia de Estado para Estado) de forma temporária, enquanto o
município procura outras formas de destinação. Podemos dizer, então, que os
aterros controlados são uma espécie de transição entre os lixões e os aterros
sanitários, mas é importante frisar que os aterros controlados são apenas uma
forma de minimizar o impacto do descarte de resíduos e atender a legislação não
constituindo de forma alguma um meio adequado do ponto de vista ambiental.